|
![]() setembro 02, 2008
PARTE 33 Eu sempre soube que você era o adorador número 1 de cada linha que ela escrevia. Gostava tanto, que se imaginava nas histórias e fantasiava ser a sua única inspiração. Ela amava você, mas você não era a sua única inspiração. Ela tinha um passado melhor do que o presente que vivia com você. Ela perdeu o verdadeiro homem da vida dela. Eu soube da história, eu pesquisei, eu perguntei, eu juntei recortes de jornais. Ele era um homem másculo, meio calvo, olhos azuis. Tinha as mãos bonitas e de tão masculinas, apresentavam pêlos em cada um dos dedos. Pêlos viris. Tinha um sorriso encantador. Ele sorria com os olhos. Eu vi em todas as fotografias que você nunca viu. Por que eu visitei a casa em que ele morou com a mãe. Por que a velha senhora, ainda saudosa do filho morto em acidente duvidoso, guardava aquelas fotografias como se fossem sua única relíquia, porque ela odiava você, porque você substituiu o filho querido dela na cama da esposa então viúva do seu grande amor. Foi uma tragédia. O homem, certo dia, acordou, olhou para o lado e viu a sua amada. Ela ainda estava dormente quando ele beijou o lado esquerdo do seu rosto e sussurrou um doce “bom-dia”. Então ele tomou banho, escovou os dentes e a então viúva e agora morta ex-esposa sua, viu ele se olhar no espelho pela última vez e ainda ganhou outro beijo agora com resquícios do creme dental refrescante que parecia ser aquela manhã. Era um amanhecer de abril e já estava fresco lá fora. As árvores que volteavam a casa eram altas, grossas, quase centenárias. Tinham limo nos caules. Deu pra ver em uma das fotografias que ele mesmo tirava. Ele tinha o dom. Fotografava detalhes muito bem. As copas das árvores eram densas e faziam sombra sobre a casa. A casa era pequena, mas tinha dois andares: sua ex-esposa agora morta e sem as mãos dormia no andar de cima, em um pequeno mezanino com o homem da vida dela. E foi quando estava com ele que ela escreveu seus melhores romances. Foi quando estava com ele que ela ganhou seus maiores prêmios literários. E ele tinha orgulho dela. Orgulho dela. Asism como você sentia também. Foi naquela mesma manhã. Ele saiu para trabalhar. Era um ex-arqueólogo que agora só queria estudar as espécies vegetais. Que homem sensível ele deveria ser. Bem mais sensível do que você que eu amo tanto! Ah, meu amor. Ela amou a outro muito mais do que você. E você ainda insiste em lembrar dela como se ela tivesse sido só sua. Entenda: nenhuma mulher foi ou será só sua, porque nenhum homem merece entranha nenhuma com exclusividade. Eu disse: nenhum. postado por Claudia Schroeder (12:36 AM) - escreva
também (0)
|
|
|||||||||
|
|||||||||||