January 24, 2010

Antes eu tinha tanta pressa.
Antes eu tinha tantas
e tantos.
Antes eu também tinha prantos
e tudo o que mais estressa.
Antes eu não tinha harmonia
e toda a poesia
era morte, era preto, era vácuo
era esterco.
Antes eu não tinha
(era inércia).
January 11, 2010
Sim, eu quero ter filhos.
Filhos com o Sr. Alfabeto
filhos de todas as letras
que sejam prosa
que sejam verso
e falem correto.
Eu quero filhos
que se possa ler
e descrever
e reescrever
se tiverem que renascer.
Quero filhos
que são a minha cara escrita
que tenham a minha caligrafia
e que tirem nota 10 em literatura
conto, crônica,
poesia.
Quero filhos de colocar na estante
no criado-mudo
na mesa de centro
ou abertos sobre a poltrona preferida.
Filhos
que se apóie no braço
no peito
ou na barriga.
Quero filhos que se abram sob meu rosto
que me tragam sorrisos
risos
e pouco desgosto.
Filhos que, a primeira vista
se veja beleza no olhar
e que, ao conhecer por dentro
comecem a apreciar.
Quero ter filhos para o mundo
espalhados por aí.
Filhos que eu nem saiba
onde possam existir.
Sim, eu quero ter filhos
e vou muito amar
se um deles
você adotar.
January 3, 2010

Na vida
tem me faltado ventos fortes
avalanches
deslizamentos de terra
tempestades
terremotos de saudades.
Preciso de corrida de carro
bungee jump
pára-quedas
pés descalços nas mais quentes pedras.
Falta um pouco de mar com tubarão
contaminação nuclear
cobra gigante
falta de ar por emoção.
Tem me faltado vida
nessa vida
de ilusão.
December 1, 2009

Agora eu posso falar a verdade
tenho como enxergar a vaidade
consigo entender a soberba
lamentar tanta perda.
Agora eu vejo
não mais desejo
e por isso, calo.
E o silêncio,
despejo
(no ralo).
November 15, 2009

Tudo o que penso
na cabeça, fica.
Se não escrevo
nem o tempo edita.
Reflito, misturo bem
com uma saudade
maldita.
E com algumas pitadas
de mau humor
cada ínfimo discurso
em silêncio
o vazio ressucita.
E agora?
Onde andará o que eu deveria
dizer
escrever
para alguém sorver?
Está na entrelinha
indizível
em alguma escrita minha
invisível.
November 9, 2009

Quando o papel higiênico acaba
é uma lástima
um suspiro
um pensamento vazio
o finalzinho
e eu estremeço
é o fim
e o começo.
Troca o rolo
ainda no assento
e espera o papel rolar
- que invento!-
Quando o papel higiênico
acaba
o mundo deságua:
o que fazer agora se não temos
um substituto
para este momento de luto?
Lamento, mas o chuveiro
é a solução:
toma outro banho
e lava bem a mão.
Quando o papel higiênico
acaba
a paciência desaba
e pensa:
logo na minha vez?
Todo mundo tem a sua
quando de um banheiro público
se é freguês.
November 9, 2009
Recado para os leitores
Eu queria escrever sempre
e eu (quase) consigo.
November 1, 2009
Concurso de Poesias Helena Kolody
Acho que é meu dever compartilhar com você a notícia de que ganhei 2º lugar em um concurso nacional de poesias com esta que você pode ler abaixo. Não costumo participar de concursos desde que cresci. Após meus 15 anos, foi a primeira vez. Mas é sempre bom ter um trabalho (mesmo que ainda seja um hobby) reconhecido.
"Jantar" foi escrita em 2005.
A música estranha
o vinho pálido-branco
o aspargo
a couve-chinesa
(o menu para um a francesa).
Ah, como são tristes
os pratos
de porção única
quando há espaço
para dois
na mesa.
Para saber mais, clique aqui.
October 4, 2009
Às vezes eu preciso sair
mas eu te amo
eu volto.
Às vezes preciso ficar indisposta diante do dia bonito
lá fora.
Às vezes eu apenas preciso
parar um pouco de respirar
fazer morrer as angústias
das decisões corretas
dos momentos mágicos
dos sonhos perfeitos.
Eu preciso sair
olhar de fora
para conseguir enxergar tudo
(de perto
eu não vejo
muito bem).
Às vezes eu apenas preciso
de quase nada.
Só um céu sobre um teto escuro
uma água morna
sobre o corpo imperfeito
a ausência de maquiagem
na boca que fala demais
nos olhos que já viram muito
nas maçãs do rosto que herdei de meu pai.
Às vezes eu só preciso de silêncio
para conseguir ouvir a música.
Preciso de um pouco de solidão
para não me sentir só.
Às vezes eu só preciso do que você acha
que eu nunca gostaria.
Mas eu te amo
eu volto
no outro dia.
August 5, 2009
você e eu
Você é o banco
eu sou a diarista
você é o amante
eu, a golpista.
Você paga
eu gasto
você ameniza
eu faço fiasco.
Você conjuga
eu grito
você é real
eu sou um mito.
Você não cozinha
e eu lavo
você instiga
e eu, descaso.
Você congela
eu esquento
você saboreia
eu, coentro.
Você vive
eu analiso
eu decido
você, indeciso.
Você se mexe
eu paraliso
você enlouquce
eu, juízo.
Você atrasa
eu chego na hora
eu fico
você demora.
Eu grito
você cala
eu falo tudo
você intercala.
Eu esperneio
você tranquiliza
eu paranóio
você avisa.
Eu perco o foco
você vê
eu sou um alguém
você, um ser.
Eu telefono
você não atende
eu explico
você não entende.
Você repete
eu repito
eu sou igual
você fica aflito.
Eu reservo
você usufrui
você está
e eu já fui.